Microalgas podem ser organismos tanto eucariontes (e.g. Chlorophytas, dentro das quais podemos citar as Chlorophyceae e Zygnematophyceae) quanto procariontes (e.g. Cyanophyceae) capazes de fazer fotossíntese (Van de Hoek, 1996). Estes organismos habitam os mais diversos ambientes, incluindo ambientes de água doce, onde frequentemente são os organismos dominantes, formando florações com possíveis danos nocivos ao ambiente (Esteves 2011).

   Os estudos destes organismos são de grande importância para o entendimento dos fatores ambientais que podem influenciar em seu crescimento; do impacto que estes podem causar ao homem e ao ambiente onde vivemos; e dos metabólitos de interesse biotecnológico. No entanto, para este tipo de estudo é de extrema importância possuir estes organismos aclimatados às condições laboratoriais, onde podem ser expostos a diferentes condições de cultivo (Falkowski e LaRoche, 1991; Raven & Geider, 2003; Tian & Yu, 2009).

   O Banco de cultivo de Microalgas são estruturas montadas para manter uma coleção de cepas de algas isoladas e purificadas. O Banco de Cultivo de Microalgas do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) foi fundado em 2005 e 

disponibiliza cepas às mais diversas finalidades, em especial para pesquisa e ensino.

   Para a pesquisa tem como enfoque principal dos trabalhos o estudo do efeito dos fatores ambientais, como luz e nutrientes, sobre o crescimento e fisiologia das algas, com especial ênfase na produção de carboidratos extracelulares. Diversos trabalhos de graduação, mestrado e doutorado, já utilizaram estas cepas, não apenas do ICB (Bicho et al. 2007; Bicho 2012, Silveira 2012; Guimarães et al. 2013) mas também Escola de Química e Alimentos (EQA) (Garcês et al. 2013) e Instituto de Oceanografia (IO), ambos da FURG. Algumas cepas já foram enviadas para o Departamento de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com a mesma finalidade.

   Para o ensino, as cepas são utilizadas como material nas aulas práticas das disciplinas de Diversidade Vegetal I (Cód.15105) e Biologia e Sistemática dos Vegetais Inferiores (Cód. 15122), ambas disciplinas obrigatórias dos cursos de graduação de Ciências Biológicas Licenciatura e Bacharelado, respectivamente.